A madrugada
livra as horas
das engrenagens
e pára
os olhos
no céu de chumbo.
O dia,
subtraído à claridade
intermitente,
é o lugar do instante
que se dobra
sobre si.
Sem sombras,
pode-se
contemplar o momento
que escapa
ao tempo
e obriga
o céu a nos dizer algo
apesar
do ressoar
da mecânica
do quartzo
no silêncio.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
para B. A.
Olho pela janela te procurando
não sobra nada de mim
nesses casarões que assombram
as ruas que trazem histórias,
que me atravessam. Atropelado
nu. Agradeço, ninguém me vê,
despudorado, olhando dentro de ti,
sentindo teu cheiro de castanha e
combustível queimado e
permanência dos dias. Tacanho,
tenho nada daqui que não seja
a ti nos meus sonhos de passagem,
de passado pastiche. Ensejo
procurar-te, e esta tua pele cinza
sob as roupas, a mim estranhas,
só bons ventos trazem. Entranho
esta luz amarela que brilha dos teus
olhos aos meus e escondem a distância
que não supero da janela. Supurado.
sábado, 7 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Poema de nada
O apartamento está vazio,
preenchido pelo som do maldito
inaudito,
enquanto o gato
tenta trazer-me ao fundo,
tirar-me do abismo
do tempo e do fumo.
Nada se passa
no passar do
instante. Nada.
E o gato se enrosca
nos meus pés
e
fico,
pelo agora,
sentindo o gasto do tato,
do momento
parado.
preenchido pelo som do maldito
inaudito,
enquanto o gato
tenta trazer-me ao fundo,
tirar-me do abismo
do tempo e do fumo.
Nada se passa
no passar do
instante. Nada.
E o gato se enrosca
nos meus pés
e
fico,
pelo agora,
sentindo o gasto do tato,
do momento
parado.
domingo, 11 de março de 2012
pixo fumaça poeira
putas burocratas mendigos
disputam os precários
espaços com os lapsos
de consciência dos loucos
que enfeitam a parte viva
da cidade do êxito
e na superfície dessas galerias
os ratos indiferentes
desfilam fingindo-se retos
sujos da assepsia
e ignoram o grito do louco
que sem as pernas
sobre o asfalto anuncia:
eis o caminho da verdade
nele nada nos faltará:
e no tilintar da lata
uma moeda roída
putas burocratas mendigos
disputam os precários
espaços com os lapsos
de consciência dos loucos
que enfeitam a parte viva
da cidade do êxito
e na superfície dessas galerias
os ratos indiferentes
desfilam fingindo-se retos
sujos da assepsia
e ignoram o grito do louco
que sem as pernas
sobre o asfalto anuncia:
eis o caminho da verdade
nele nada nos faltará:
e no tilintar da lata
uma moeda roída
Assinar:
Postagens (Atom)