o sol persiste na pedra
ainda quando se retira
e deixa seu fogo na pele
e no galo que canta
no cair da tarde
ele mesmo se antecipa
e arde do fundo da noite
no rasgo aberto
na garganta e na carne
e povoa a respiração
pesada dos sonos
seja justo ou não
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
a cama nos espera
com as máscaras
da rua
nada de
refeição
silêncio na mesa
e falta de franqueza
carnaval
cachaça
e um pano na boca
queimando
aos poucos
até incendiar
as horas
a prática do desapego
não combina
com fogo
mas com sofás
na sala
do apartamento
aqui
é luta armada
suor e carne
e fome
e baile
e máscara
e cachaça
e um pano na boca
que como chama fala
com as máscaras
da rua
nada de
refeição
silêncio na mesa
e falta de franqueza
carnaval
cachaça
e um pano na boca
queimando
aos poucos
até incendiar
as horas
a prática do desapego
não combina
com fogo
mas com sofás
na sala
do apartamento
aqui
é luta armada
suor e carne
e fome
e baile
e máscara
e cachaça
e um pano na boca
que como chama fala
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
poema sobre óleo sobre tela
uma crosta de flor se abre
no quadro
no peito
irrompendo na garganta
um grito amarelo
que deixa as bocas cheias
destas pétalas
uma natureza mais viva
que vigora nos olhos
tomando toda a retina
esta crosta de flor
está no quadro
e talvez sustentada
por outros vasos
perdida em alguma casa
sob um sol ardente
de qualquer cidade
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
este poema deveria
entregar os corpos
seus gestos no meio
dos carros e a entonação
precisa do palavreado
e o mar de barulhos
que pulsam involuntários
nas veias dos que
comem o asfalto
com farinha
sentindo o calor
do trânsito nas ruas
passeios privados
e o cheiro de verão
gasolina mijo e cigarro
mas é só um escrito
autobiográfico do mundo
que se escreve
como escravo
nas peles que está
encravado
nas travessias que
pelo meio atropela
como se atravessasse
nada
indiferente
a tudo o que arrasta
entregar os corpos
seus gestos no meio
dos carros e a entonação
precisa do palavreado
e o mar de barulhos
que pulsam involuntários
nas veias dos que
comem o asfalto
com farinha
sentindo o calor
do trânsito nas ruas
passeios privados
e o cheiro de verão
gasolina mijo e cigarro
mas é só um escrito
autobiográfico do mundo
que se escreve
como escravo
nas peles que está
encravado
nas travessias que
pelo meio atropela
como se atravessasse
nada
indiferente
a tudo o que arrasta
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