sábado, 21 de junho de 2014

é carnaval nas ruas narrando
a necessidade do desconserto
de impor a ressaca
ao deserto
de dar a cara à máscara
de dar à cara a máscara
e prender o sol
entre os dentes
para prolongar
seu calor na boca
e sentir repercutir no corpo
os ruídos suor das ruas rimas
e abrir a vida às quimeras
em banheiros químicos
é carnaval

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fragmento (da travessia) III

nós dados nas esquinas por atropelos sentindo a acuidade do sol e de cotovelos não há travessia tranquila nessas ruas não há sinais claros nos corpos que se cruzam só há o vácuo do próximo ato do movimento desencadeado pelo sol que atravessa o olhar só há essas pequenas passagens que se abrem entre as pernas e revelam ser comum dar em algum lugar

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Aqui não há rompante
de sangue nas ruas
nem rupturas
na superfície dura
do concreto sem
erupção a irromper
- como se lava
o pó de minério e borracha
e as marcas dos pés
que marcham -
aqui só há o gosto
do pus no cuspe na boca
esta cidade inflamada
está pulsando fraco
como bate um coração
de burocrata

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Poema de amor de verões

Queria ter lambido o sal
da sua pele sob o sol
do primeiro janeiro


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

o sol persiste na pedra
ainda quando se retira
e deixa seu fogo na pele
e no galo que canta
no cair da tarde
ele mesmo se antecipa
e arde do fundo da noite
no rasgo aberto
na garganta e na carne
e povoa a respiração
pesada dos sonos
seja justo ou não