terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fragmento (da travessia) III

nós dados nas esquinas por atropelos sentindo a acuidade do sol e de cotovelos não há travessia tranquila nessas ruas não há sinais claros nos corpos que se cruzam só há o vácuo do próximo ato do movimento desencadeado pelo sol que atravessa o olhar só há essas pequenas passagens que se abrem entre as pernas e revelam ser comum dar em algum lugar

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Aqui não há rompante
de sangue nas ruas
nem rupturas
na superfície dura
do concreto sem
erupção a irromper
- como se lava
o pó de minério e borracha
e as marcas dos pés
que marcham -
aqui só há o gosto
do pus no cuspe na boca
esta cidade inflamada
está pulsando fraco
como bate um coração
de burocrata

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Poema de amor de verões

Queria ter lambido o sal
da sua pele sob o sol
do primeiro janeiro


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

o sol persiste na pedra
ainda quando se retira
e deixa seu fogo na pele
e no galo que canta
no cair da tarde
ele mesmo se antecipa
e arde do fundo da noite
no rasgo aberto
na garganta e na carne
e povoa a respiração
pesada dos sonos
seja justo ou não

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

a cama nos espera
com as máscaras
da rua
nada de
refeição
silêncio na mesa
e falta de franqueza
carnaval
cachaça
e um pano na boca
queimando
aos poucos
até incendiar
as horas
a prática do desapego
não combina
com fogo
mas com sofás
na sala
do apartamento
aqui
é luta armada
suor e carne
e fome
e baile
e máscara
e cachaça
e um pano na boca
que como chama fala