Com os pés machucados
cravados no chão
e as unhas na parede
permaneço preso ao mundo
e prezo pela imundície
que diz - que me diz -
antes doente e vivo
do que falsamente são
e morto
cuidando da preservação
das dores
esperando os dados
serem
lançados.
Coloco-me sobre a terra
e disputo cada palmo,
com o desejo de um operário,
sem honorário e hora,
fazendo da derrota
trabalho
fazendo da falta, sem revolta,
uma humilde -
diminuta –
revolução.
Resoluto, não creio ou rezo,
roído pelos ratos e reis rotos
não me entrego
e emprego
o que me resta
das mãos
para construir
arte
fatos
que farão desse pouco de
traição,
de cheiro azedo,
sangue que pulsa. Com veias
abertas,
salta
a certeza
do pulso, em haste, teso.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
A beleza sóbria
deste céu de concreto
deste céu de concreto
reflete em mim
cheio de álcool
cheio de álcool
e me pergunto azul
a razão da plenitude
a razão da plenitude
que vem
abaixo
e encharca a terra do
etéreo
- purificação pela lama?
- purificação pela lama?
Hoje será uma tolice
emboscar a beleza
média
crepuscular
de deus que
chama
sem se molhar
se fazer de barro
chama
sem se molhar
se fazer de barro
e no olhar abissal
vê-se água
e se transborda
para dentro
e se transborda
para dentro
O lodo ainda brilha
nestes olhos
nestas poças rasas
porém cheias
vejo: há fogo
e o calor
das profundezas
dos dias nos
a
fundam
nestes olhos
nestas poças rasas
porém cheias
vejo: há fogo
e o calor
das profundezas
dos dias nos
a
fundam
domingo, 5 de agosto de 2012
Terra arrasada
I
Deixo-me consumir pelo
mundo
e subsumido gargalho,
sem ruído, da
deformidade
das fronteiras
que me inscrevem
que me inscrevem
uma legião de outros.
Desconheço a todos,
mas dissimulo a
ignorância
e, à distância, eu
mesmo
lhes impinjo.
II
Se há dor,
não o sinto,
e finjo-me poeta
não o sinto,
e finjo-me poeta
fingindo entregar-se à
terra
que os olhos de fato
comem.
E a vastidão
em que me encontro,
no vácuo da
proximidade,
a vontade me devasta.
Terra arrasada.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Fechado dentro de uma sala
cheia de gavetas
cheias de:
poemas
papéis
delírios
indiferença cheia
de farsas
Sobre a mesa
- falsamente organizada:
razoabilidade
cálculo
Preso na cadeira
em cadeias
de desordem
cheias de fugas
e fuligem
faço
rabiscos
mecanicamente
No caminho do fluxo
um cálculo
excrescências
a dor
na cabeça
nas costas
que seja renal.
cheia de gavetas
cheias de:
poemas
papéis
delírios
indiferença cheia
de farsas
Sobre a mesa
- falsamente organizada:
razoabilidade
cálculo
Preso na cadeira
em cadeias
de desordem
cheias de fugas
e fuligem
faço
rabiscos
mecanicamente
No caminho do fluxo
um cálculo
excrescências
a dor
na cabeça
nas costas
que seja renal.
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