há uma puta no ponto
do cruzamento do parque
com uma mala
o que ela guarda?
o que aguarda?
nós que nunca esperamos
nada da vida
sempre prontos
para a próxima
partida
carregamos tudo
o que é preciso
para nos mantermos vivos
em uma parada
incluindo o corpo
a ser mais ou menos vendido
e a intimidade que
lançada no mundo
nunca é dada
ainda que descubramos
o que existe
na mala
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
in progress
há areia sobre o asfalto
onde antes havia mar
como uma lembrança
do fundo do lugar
dragado
tragado
- por necessidade de carros
como modo de vida da urbe -
que ressurge no espelho
feito de um punhado
sob o sol de meio-dia
nessa superfície lisa, a combustão
lambe aos poucos
os corpos absorvidos pelo piche
que camada dura sobre a terra é
reflexo
a mostrar impessoalmente
a cidade a tudo aterra
construída em amontoados de
pessoas e pedras
sobre ruínas
de vias, praias, vilas, memórias
que agora só podem surgir
- como perda
como algo que no coração é falta -
no espaço entre a calçada e a faixa de pedestres
porque reside essa porção de areia
em sua existência eterna
no meio de solados emborrachados vento papéis de bala e latas
em uma espécie de fresta
que há de engolir nossos olhos
e tornar firmes nossas
palavras e pernas
para tomar rumos que resistam ao
cálculo dos metros cúbicos de concreto
à indiferença em progresso
que há de engolir nossos olhos
ao abrir uma fenda na rua
na ressurgência da pulsão do mar
onde antes havia mar
como uma lembrança
do fundo do lugar
dragado
tragado
- por necessidade de carros
como modo de vida da urbe -
que ressurge no espelho
feito de um punhado
sob o sol de meio-dia
nessa superfície lisa, a combustão
lambe aos poucos
os corpos absorvidos pelo piche
que camada dura sobre a terra é
reflexo
a mostrar impessoalmente
a cidade a tudo aterra
construída em amontoados de
pessoas e pedras
sobre ruínas
de vias, praias, vilas, memórias
que agora só podem surgir
- como perda
como algo que no coração é falta -
no espaço entre a calçada e a faixa de pedestres
porque reside essa porção de areia
em sua existência eterna
no meio de solados emborrachados vento papéis de bala e latas
em uma espécie de fresta
que há de engolir nossos olhos
e tornar firmes nossas
palavras e pernas
para tomar rumos que resistam ao
cálculo dos metros cúbicos de concreto
à indiferença em progresso
que há de engolir nossos olhos
ao abrir uma fenda na rua
na ressurgência da pulsão do mar
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
sei que o sol está
em algum lugar
sob os nossos pés
por isso dançamos
como o mar com o calor
essas idas e vindas
da superfície são só
o movimento profundo
do sol em tudo
que atravessa
nossos corpos
e faz girar
a terra no braço
ainda que pareçamos
parados não perecemos
porque há sol e essa dança
universal incessante
que dentre tantos gestos
precisos deixa a necessidade
do improviso
do imprevisto sob o sol
sob os nossos pés
em algum lugar
sob os nossos pés
por isso dançamos
como o mar com o calor
essas idas e vindas
da superfície são só
o movimento profundo
do sol em tudo
que atravessa
nossos corpos
e faz girar
a terra no braço
ainda que pareçamos
parados não perecemos
porque há sol e essa dança
universal incessante
que dentre tantos gestos
precisos deixa a necessidade
do improviso
do imprevisto sob o sol
sob os nossos pés
quarta-feira, 22 de julho de 2015
o tempo vivido marca rostos
deixa na pele as rugas
e acumula o esquecimento
das rusgas, das ruas, das frutas
que plantaram
esse hálito na boca
e a fina folha a recobrir
como hera nossos olhos
a apagar no hábito os gestos
que somos
o tempo vivido marca gostos
afetos que habitamos
esse sentimento do mundo
lançado nos espaços
entre palavras, pessoas, portos
que nos deixaram
uma expressão no corpo
o tempo vivido gravado
de forma aguda torna-se
vívido
deixa na pele as rugas
e acumula o esquecimento
das rusgas, das ruas, das frutas
que plantaram
esse hálito na boca
e a fina folha a recobrir
como hera nossos olhos
a apagar no hábito os gestos
que somos
o tempo vivido marca gostos
afetos que habitamos
esse sentimento do mundo
lançado nos espaços
entre palavras, pessoas, portos
que nos deixaram
uma expressão no corpo
o tempo vivido gravado
de forma aguda torna-se
vívido
terça-feira, 21 de julho de 2015
apreciaria um olhar nítido
como um girassol de pessoa
mas envolvido nos ruídos
do asfalto de placas de telas
de concreto o que vejo
é só passagens de paisagens
nada de estrada cheia de lados
tudo novo e habitado
mas espero para ver
brilhar algo nesse olhar turvo
de mato de passeio público
nascido em toda cidade
entre o vapor dos carros
contra o que é planejado
um olhar de mato
que mostre as metas
como olvidamento do que
é preciso na vida
e deixe na palavra
ao menos o cheiro de
uma flor desconhecida
como um girassol de pessoa
mas envolvido nos ruídos
do asfalto de placas de telas
de concreto o que vejo
é só passagens de paisagens
nada de estrada cheia de lados
tudo novo e habitado
mas espero para ver
brilhar algo nesse olhar turvo
de mato de passeio público
nascido em toda cidade
entre o vapor dos carros
contra o que é planejado
um olhar de mato
que mostre as metas
como olvidamento do que
é preciso na vida
e deixe na palavra
ao menos o cheiro de
uma flor desconhecida
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