uma mulher cravada
na pedra
com os pés na água
no meio da selva
no meio da
pedra
no meio do caminho
em cima da calçada
no meio do trânsito
- que não passa -
como um murro
como uma pedra
no olho
cravada de quem vira
a pedra
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
poema do golpe comunista
a fraternidade é vermelha
como o nascer do sol
por isso o jogral
dos galos do cabral
jogando o grito pro alto
pro outro pro outro pro outro
até tecer
a
manhã
como o nascer do sol
por isso o jogral
dos galos do cabral
jogando o grito pro alto
pro outro pro outro pro outro
até tecer
a
manhã
sábado, 25 de outubro de 2014
o rumor dos morros
enche as ruas
com seu ruído rígido
se instala nas latas
que sustentam
o muro
o trânsito
as calçadas da madrugada
molha nossas línguas
de falas ralas
mas não há nada
em nossos olhos
tomados pela luz clara
para que ver ou ouvir
se é só vulgata?
o rumor dos morros
que ninguém construiu
enche as ruas
com seu ruído rígido
e faz brotar o mundo
em nós
se sentimos na pele
a música entranhada
enquanto atravessamos
no meio da cacofonia
e sentimos o murro
do calor dos corpos misturados ao
asfalto
o rumor dos morros
enche as ruas
com seu ruído rígido
é nosso primeiro mundo
é muro
é música
é murro
enche as ruas
com seu ruído rígido
se instala nas latas
que sustentam
o muro
o trânsito
as calçadas da madrugada
molha nossas línguas
de falas ralas
mas não há nada
em nossos olhos
tomados pela luz clara
para que ver ou ouvir
se é só vulgata?
o rumor dos morros
que ninguém construiu
enche as ruas
com seu ruído rígido
e faz brotar o mundo
em nós
se sentimos na pele
a música entranhada
enquanto atravessamos
no meio da cacofonia
e sentimos o murro
do calor dos corpos misturados ao
asfalto
o rumor dos morros
enche as ruas
com seu ruído rígido
é nosso primeiro mundo
é muro
é música
é murro
quarta-feira, 23 de julho de 2014
um verde parco
sobre o deserto
sob concreto e carro
de onde saiu tanto espaço?
parece só vazio destinado
por sua escala
a encher a rua de abismos
mas de dentro da natureza dura
do clima seco
de edifícios secos
e deste sol que arde
nasce, morre, nasce
morre, nasce
nasce
brotando da superfície alcalina
hostil da cidade
o mato não planejado
que se enraíza em suas ruínas
e constrói esquinas
nas rachaduras das quadras
sobre o deserto
sob concreto e carro
de onde saiu tanto espaço?
parece só vazio destinado
por sua escala
a encher a rua de abismos
mas de dentro da natureza dura
do clima seco
de edifícios secos
e deste sol que arde
nasce, morre, nasce
morre, nasce
nasce
brotando da superfície alcalina
hostil da cidade
o mato não planejado
que se enraíza em suas ruínas
e constrói esquinas
nas rachaduras das quadras
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